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Simpatia da Canela


Mulher soprando canela em pó da palma da mão, gesto da simpatia da canela

SIMPATIA DA CANELA PARA PROSPERIDADE FINANCEIRA

Canela na chave de casa

Antes de sair de manhã, ponha uma pitada de canela em pó na palma da mão e passe na chave da porta, dos dois lados. Encaixe na fechadura e gire devagar, sentindo a tranca abrir. Diga: "abro a porta e abro o caminho, que o dinheiro entre por aqui." Saia normalmente e repita o gesto ao voltar, dessa vez destrancando. Essa simpatia da canela se fecha quando você lava a chave em água corrente, no fim do dia. O pó que sobrar na mão vai embora na mesma água.


Canela no pote do mantimento

Escolha o mantimento que nunca pode faltar na sua casa, arroz, feijão ou açúcar. Embrulhe um pau de canela inteiro num saco plástico pequeno e feche bem, para o cheiro não passar para o alimento. Enfie o embrulho no meio do pote, até sumir dentro do mantimento, e diga: "enquanto tiver aqui dentro, não falta lá fora." Feche o pote e deixe assim por dois dias, sem abrir. No terceiro dia, tire o embrulho e jogue numa lixeira de rua. O mantimento pode ser usado normalmente.


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Canela no batente da porta

Ponha uma pitada de canela em pó na ponta do dedo indicador. Estique o braço e passe o dedo no batente de cima da porta de entrada, por dentro da casa, de um lado ao outro. Diga: "quem passar por baixo dessa porta, que traga coisa boa." Se não alcançar, use um pano limpo na ponta da vassoura com o pó por cima. Faça a simpatia da canela pela manhã e não limpe o batente no mesmo dia. No dia seguinte, passe um pano seco e descarte fora de casa.


SIMPATIA DA CANELA PARA PROMOÇÃO PROFISSIONAL

Canela nos três degraus

Procure uma escada que você suba com frequência, em casa ou no trabalho. Polvilhe uma pitada de canela em pó em três degraus, o de baixo, um do meio e o de cima. Suba os três pisando por cima do pó, sem pular nenhum, e diga a cada um: "subo, subo e não desço." Chegando em cima, diga: "meu lugar é aqui." Limpe os degraus após a realização.


Canela na cadeira do trabalho

Numa segunda-feira, antes de começar o expediente, ponha uma pitada de canela em pó no chão, embaixo da cadeira, bem debaixo de onde você senta. Sente e diga: "essa cadeira é minha e a próxima também." Trabalhe o dia normalmente, sem mexer no pó. Essa simpatia da canela se encerra no fim do expediente, quando você recolhe o pó com um pano e joga numa lixeira longe da empresa. Se você não tem cadeira fixa e trabalha em pé, espalhe na área que você mais costuma pisar.


Pau de canela segurado entre os dedos

Canela nas mãos antes da reunião

No dia da entrevista, da reunião ou da conversa com o chefe, esfregue uma pitada de canela em pó entre as duas palmas, como se fosse creme, até sumir. Diga: "o que sair dessa mão volta em reconhecimento." Não lave as mãos até o compromisso terminar. Cumprimente quem tiver que cumprimentar, apertando com firmeza. Depois que acabar, lave as mãos em água corrente.


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SIMPATIA DA CANELA PARA VENCER PROCESSOS NA JUSTIÇA

Canela e a pedra sobre o papel

Escreva num papel o número do processo, ou só o assunto, se não souber o número. Dobre o papel em quatro e polvilhe canela em pó por cima. Ponha uma pedra em cima, dessas comuns de jardim, apertando bem. Diga: "o que é meu de direito fica firme como essa pedra." Deixe a simpatia da canela agindo por dois dias, num canto em que ninguém mexa. Depois descarte o papel fora de casa e devolva a pedra para a terra.


Canela no bolso da audiência

Na véspera, deixe um pau de canela dentro do bolso da roupa que você vai vestir. Na hora de sair, segure a canela dentro do bolso e diga: "vou com a razão e volto com ela." Não mexa mais no pau de canela. Ao fim da audiência, descarte-o.


Canela e as três batidas na mesa

Espalhe uma pitada de canela em pó no meio da mesa da cozinha. Ponha a mão aberta em cima do pó e bata três vezes, com firmeza. Diga a cada batida: "decidido, decidido, decidido." Deixe o pó na mesa até o fim do dia, sem limpar. À noite, junte com um pano úmido e jogue numa lixeira de rua. Faça essa simpatia da canela uma vez só, no dia mais próximo da decisão.

Paus de canela sobre a terra, iluminados pelo sol

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SIMPATIA DA CANELA PARA RECEBER DINHEIRO DE DEVEDORES

Canela e o barbante puxado

Escreva o nome de quem te deve num papel pequeno e amarre uma ponta de barbante nele. Polvilhe canela em pó sobre o papel amarrado. Ponha o papel na outra ponta da mesa, longe de você, e segure a outra ponta do barbante. Puxe devagar, trazendo o papel até a sua mão, e diga: "o que é meu vem para mim." Guarde papel e barbante juntos por um dia e descarte fora de casa.


Canela sobre o celular

Ponha uma pitada de canela em pó na palma da mão e passe de leve na tela do celular desligado, com a ponta do dedo, em movimento circular. Diga: "por aqui chega o aviso e chega o pagamento." Limpe a tela com um pano seco e macio, sem molhar o aparelho. Não use o pó em teclado, na entrada do carregador nem em aparelho aberto. Jogue o pó do pano numa lixeira de rua. Faça essa simpatia da canela pela manhã, uma vez só.


Canela no pote deixado fora

Pegue um pote de vidro pequeno e limpo e ponha uma colher de canela em pó dentro. Escreva o nome de quem te deve num papel pequeno e deixe o papel dentro do pote, em cima do pó. Leve o pote até uma área externa fora da sua propriedade, um terreno, um canteiro ou o pé de uma árvore. Ponha no chão, com a boca virada para cima e sem tampa, e diga: "está aberto para receber, e o que me devem vai chegar." Volte para casa sem olhar para trás e não retorne ao lugar para conferir.


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Curiosidades...

Pau de canela ou canela em pó: quando a tradição pede cada um

Quem lê várias receitas seguidas nota que umas pedem o pau de canela inteiro e outras o pó, e quase nunca alguém explica a diferença. Existe uma lógica por trás, e ela é bem simples de guardar.

O pó é usado quando o gesto envolve espalhar, cobrir, marcar ou passar a mão. Ele se distribui, adere à superfície, entra em fresta, sobra na palma. Aparece em degrau, em batente, em chave, em mesa, em tudo que precisa ficar coberto por uma camada fina. Também é o formato preferido quando o ritual pede que a pessoa sinta o material na pele.

O pau de canela é usado quando o gesto envolve guardar, carregar, enfiar ou deixar num lugar. Ele é objeto, tem forma, ocupa espaço e pode ser segurado dentro de um bolso ou enfiado no meio de um pote. Onde o pó se perderia, o pau de canela permanece. É por isso que ele aparece nas simpatias de dias mais longos, e o pó nas de resolução rápida.

Existe ainda um detalhe prático que a tradição incorporou sem falar dele. O pó perde cheiro muito antes do pau de canela, porque tem mais superfície exposta ao ar. Uma simpatia da canela que precise durar dois dias com o material escondido rende mais com o pau de canela, que continua cheiroso até o fim.

Se a receita não especificar, vale a regra do gesto: se você vai espalhar, use pó; se você vai deixar guardado, use o pau de canela. E se só tiver um dos dois em casa, adapte sem culpa, porque a tradição popular sempre trabalhou com o que havia na despensa.

Existe ainda uma terceira forma, menos citada, que é a canela em lasca, aqueles pedaços quebrados que sobram do pau de canela. Ela serve para os dois usos: espalha razoavelmente bem e ainda pode ser guardada. Quem compra a granel costuma achar assim, e é a opção mais econômica de todas. Para efeito de tradição, lasca conta como pau de canela. E quem só tem o pau de canela em casa pode fazer o próprio pó raspando com uma faca, o que dá um material mais grosso, porém bem mais cheiroso do que o de pacote velho.

Como escolher e guardar a canela em casa

Quase toda canela vendida no Brasil é da variedade cássia, aquela mais escura, de casca grossa e dura, com sabor mais forte. A outra é a canela do Ceilão, mais clara, quebradiça e de aroma mais delicado, com o pau de canela formado por várias camadas finas enroladas, parecendo um charuto. A cássia, ao contrário, se enrola numa camada só, mais grossa, e é a que se acha em qualquer mercado.

Para a cozinha e para a tradição popular ninguém faz distinção entre as duas: as simpatias funcionam com a que você tiver. A diferença que interessa aparece quando se consome muito, e com frequência. A cássia tem naturalmente teor bem mais alto de cumarina, uma substância que em excesso não faz bem, e por isso existem países que limitam seu uso em produtos industrializados. Isso não afeta uma pitada aqui e ali numa receita, nem em nada que se faça sem ingerir.

Sobre a compra, o conselho é olhar o pote antes de pegar. Canela boa tem cheiro forte assim que se abre. Se você aproxima o nariz e sente pouca coisa, aquele pó já está velho, e pó velho é um material sem a característica principal que a tradição valoriza nele.

Guardar é mais importante do que a maioria imagina. Canela odeia três coisas: calor, luz e umidade. Pote de vidro escuro ou de plástico bem fechado, longe do fogão e da pia, resolve. Deixar o pacote aberto dentro do armário quente, ao lado da panela, é o jeito mais rápido de perder o aroma.

Sobre a validade, vale distinguir duas coisas. Canela não estraga como alimento fresco estraga: ela perde força. O pó guarda o cheiro por cerca de um ano; o pau de canela segura por bem mais tempo, às vezes o dobro. Passado esse prazo, o material continua próprio para uso, só não entrega mais o que dele se espera. Um teste simples: esfregue uma pitada entre os dedos e cheire. Se quase não sentir nada, é hora de repor.

Subir, puxar, abrir: o vocabulário do corpo nas simpatias de dinheiro

Repare no verbo de cada simpatia de prosperidade e você vai encontrar um padrão que se repete Brasil afora. Quase todas pedem um movimento do corpo em direção a alguma coisa, e o movimento escolhido tem tudo a ver com o pedido.

Quando se quer crescer de posição, o gesto é subir. Subir degrau, levantar da cadeira, passar a mão de baixo para cima. Quando se quer trazer algo que está longe, o gesto é puxar. Puxar barbante, puxar em direção ao peito, trazer para dentro. Quando se quer que apareça oportunidade, o gesto é abrir. Abrir porta, abrir tampa, abrir a mão. E quando se quer firmar o que já se tem, o gesto é apertar ou colocar peso em cima.

Isso não é enfeite. A tradição popular sempre trabalhou por semelhança: o corpo faz o que a pessoa quer que a vida faça. E o material entra como testemunha do gesto, marcando o caminho por onde a mão passou.

Guardar essa chave de leitura vale mais do que decorar receita. Diante de qualquer simpatia da canela que aparecer pela frente, procure primeiro o verbo. Se ele combina com o que você quer, o ritual faz sentido para o seu caso. Se ele contraria, provavelmente aquela receita nasceu para outra finalidade e foi remendada depois.

É também por isso que descer uma escada logo depois de subir, ou empurrar o que se acabou de puxar, é considerado desfazer o que foi feito. Não porque exista uma regra escrita, mas porque o corpo estaria dizendo o contrário.

Vale acrescentar um verbo que aparece pouco nas listas e muito na prática: guardar. Enfiar algo dentro de um pote, deixar dentro do bolso, esconder no meio do mantimento. Esse é o gesto de quem não quer atrair nem trazer, e sim conservar o que já tem. Aparece bastante em casa de quem viveu período de aperto e aprendeu que segurar também é uma forma de prosperar.

Onde o dinheiro passa: os pontos de ritual de quem trabalha

A porta de casa é o ponto mais famoso da tradição, mas quem depende do trabalho para viver conhece outro conjunto de lugares igualmente importantes: a cadeira, a bancada, a chave do comércio, o crachá, a ferramenta, o celular que recebe o pedido, o balcão onde o dinheiro passa.

A lógica é a mesma da porta, transportada para outro cenário. Assim como a soleira separa o dentro do fora, esses objetos separam a pessoa do sustento dela. São a fronteira entre o esforço e o retorno. Por isso a tradição popular foi ocupando cada um deles com gestos próprios, e o faz até hoje, adaptando o costume a cada nova forma de trabalhar.

Vale reparar em como isso acompanhou a mudança dos tempos. Onde antes havia caderneta de fiado, hoje há aplicativo. Onde havia campainha de loja, hoje há notificação. As mãos mudaram de objeto, mas continuam fazendo a mesma coisa: marcar simbolicamente o canal por onde o dinheiro chega. Uma simpatia da canela feita sobre a tela do celular é, no fundo, a versão contemporânea de um gesto antigo feito sobre o balcão.

Um cuidado prático que a tradição sempre respeitou, e que hoje pesa ainda mais: material nenhum deve prejudicar a ferramenta de trabalho. Pó em contato elétrico, em fechadura de precisão ou em entrada de aparelho é problema real, não simbólico. Quando houver dúvida, o gesto se faz por fora, num pano, num porta-objeto, na embalagem, e não dentro do equipamento.

Há também uma questão de discrição que quem trabalha fora conhece bem. Nem todo ambiente é lugar de explicar o que se está fazendo, e a tradição popular sempre foi discreta por natureza. Os gestos ligados ao trabalho costumam ser os menores de todos: uma pitada embaixo do assento, um pau de canela esquecido no bolso, um movimento rápido com a mão. Ninguém precisa ver, e é justamente esse o desenho.

Dizer o valor em voz alta: por que a tradição pede número

Existe uma orientação curiosa que aparece com frequência nas simpatias de dinheiro: em vez de pedir prosperidade em geral, pedir uma quantia definida. Escrever o valor, dizer o valor, apontar o valor. Muita gente acha isso pequeno, como se pedir pouco fosse desperdiçar o ritual, mas a tradição pensa o contrário.

O motivo mais repetido pelos mais velhos é que pedido vago não tem como ser reconhecido quando chega. Quem pede "melhorar de vida" não sabe dizer se melhorou. Quem pede uma quantia exata para uma finalidade exata percebe na hora se aquilo aconteceu ou não. O número serve de régua.

Existe um segundo motivo, mais prático e igualmente antigo. Nomear o valor obriga a pessoa a saber quanto precisa de verdade, e essa conta quase ninguém faz de cabeça. Na hora de escrever, é preciso somar o que está atrasado, o que vence, o que falta. Muita gente descobre nesse momento que o problema é menor do que parecia, ou que era outro.

Daí também vem o costume de trocar o pedido quando ele já foi atendido, em vez de repetir o mesmo texto para sempre. A tradição trata o pedido como coisa viva: cumpriu, encerra, e o próximo já nasce com outro número.

Vale um detalhe que evita frustração. Nenhuma simpatia da canela promete quantia, e ninguém sério prometeu isso em tempo nenhum. O número serve para organizar o pedido de quem faz, não para obrigar o resultado.

Uma última observação sobre a forma de escrever. O costume manda anotar o valor com o número e por extenso, do mesmo jeito que se preenche um cheque ou um recibo. Não é exigência de ritual, é herança do modo antigo de registrar dinheiro, quando um papel escrito à mão valia como compromisso. A tradição incorporou o formato porque ele passa seriedade a quem escreve.

Cobrar e receber: por que devedor tem tratamento próprio

Nas listas antigas, as simpatias para receber de quem deve nunca ficaram no mesmo bolo das de prosperidade. Elas formam um grupo à parte, com gestos diferentes, e existe um motivo claro para isso.

Prosperidade é pedir que venha algo que ainda não existe. Cobrança é pedir que volte algo que já era seu. São dois movimentos distintos, e a tradição popular, que trabalha por semelhança, precisou de gestos distintos. Nas de prosperidade aparecem os verbos de abrir e atrair. Nas de cobrança aparecem os de puxar, chamar de volta e trazer para perto.

Repare também no papel do nome. Simpatia de prosperidade raramente pede nome de alguém, porque o pedido é sobre a própria vida. Simpatia de cobrança quase sempre pede, porque existe uma pessoa específica no meio, com uma obrigação específica. Isso muda a natureza do que se faz: não é sobre atrair o mundo, é sobre uma relação entre duas partes.

Existe uma orientação que os mais velhos repetem e que vale registrar: pedido de cobrança se faz sobre o valor, não sobre a pessoa. A tradição sempre desaconselhou desejar mal a quem deve, e não por delicadeza. A lógica é bem prática: quem passa mal não paga. Uma simpatia da canela feita para receber pede que o dinheiro volte, e para em cima disso.

E vale lembrar do óbvio, que o ritual não dispensa: converse, cobre, registre, procure acordo. O gesto simbólico anda ao lado disso, nunca no lugar.

Uma diferença curiosa entre as duas famílias de simpatia está no tempo. As de prosperidade costumam ser feitas em datas de começo, virada de mês, segunda de manhã, primeiro dia de expediente. As de cobrança costumam ser feitas em data ligada à dívida: véspera do vencimento, dia combinado, aniversário do acordo. Uma olha para a frente; a outra olha para um compromisso que já existia.

As simpatias voltadas para processos judiciais

Pode parecer estranho que uma tradição de cozinha tenha desenvolvido rituais para audiência e processo, mas faz todo sentido quando se olha o que os dois têm em comum: espera longa, decisão que não depende de você e resultado que muda a vida.

A tradição popular sempre se ocupou exatamente desses lugares. Onde existe controle total, ninguém precisa de simpatia. Onde a pessoa fez tudo que podia e agora só resta aguardar, é onde o gesto simbólico aparece com mais força. Processo judicial é o retrato disso: prazos longos, linguagem difícil, decisão nas mãos de terceiros.

Os gestos escolhidos para essa finalidade contam a história sozinhos. Peso em cima do papel, para firmar. Objeto levado no bolso, para acompanhar. Batida na mesa, para encerrar. Nada de espalhar ou soprar, que são gestos de atrair. Aqui a tradição pede firmeza, presença e conclusão.

Uma observação que vale mais do que qualquer receita: nenhuma simpatia da canela substitui advogado, prazo cumprido ou documento entregue. A tradição funciona como apoio de quem espera, não como atalho de quem se descuidou. Quem falta a uma audiência não perde por falta de ritual.

Existe ainda um costume antigo de não comentar o processo enquanto ele corre. Uns explicam pelo lado espiritual, outros pelo lado prático, e curiosamente os dois levam ao mesmo conselho: falar demais sobre o que ainda não terminou costuma atrapalhar.

Vale registrar um ponto que costuma passar despercebido. As simpatias voltadas a processo raramente pedem que o outro lado perca. Elas pedem que o que é de direito seja reconhecido, o que é bem diferente. Essa formulação não é acaso: a tradição popular sempre teve receio de pedido que se volta contra alguém, e nas questões de justiça esse cuidado ficou ainda mais marcado do que em outras áreas.

Quantas vezes se pode repetir uma simpatia

Essa dúvida chega sempre, e a resposta honesta tem duas partes.

A primeira é sobre o tipo de ritual. Existem os que a tradição trata como gesto de ciclo, ligados a começo de mês, de semana ou de expediente, e esses são feitos de novo a cada ciclo, sem problema nenhum. E existem os de pedido específico, feitos para uma situação com começo, meio e fim. Esses se fazem uma vez e se aguarda.

A segunda parte é sobre o que a repetição diz de quem repete. Refazer a mesma coisa três, quatro, cinco vezes seguidas costuma ser sinal de ansiedade, e ansiedade é o oposto do estado que a tradição pede. Os mais velhos diziam que pedido remexido não assenta. É uma imagem boa: quem mexe na terra todo dia para ver se a semente brotou acaba atrapalhando a semente.

Existe também a questão de misturar. Fazer várias simpatias diferentes ao mesmo tempo para o mesmo assunto costuma confundir mais do que ajudar, principalmente porque a pessoa perde a noção do que fez e quando fez. Escolher uma, seguir até o fim e só então avaliar é o caminho que mais se repete nos conselhos antigos.

E se não acontecer nada? A tradição popular nunca prometeu resultado garantido, e quem promete não está falando pela tradição. Uma simpatia da canela é um gesto de organização e de esperança, feito por quem já está se movendo na direção do que pediu.

Uma observação final sobre a espera. Cada tipo de pedido tem seu próprio ritmo, e comparar não ajuda. Assunto que depende de terceiros demora mais do que assunto que depende só de você. Quem faz um pedido ligado a prazo de processo e espera resposta em três dias vai se frustrar, não porque o ritual falhou, mas porque a expectativa foi montada errada.

Cuidados práticos com a canela

Material simples também pede atenção, e alguns cuidados evitam transtorno.

O primeiro é sobre o pó no ar. Canela em pó solta partículas finíssimas, e aspirar de perto irrita nariz e garganta. Quando a simpatia pedir para soprar ou espalhar, faça com o rosto afastado e de preferência em lugar arejado. Quem tem sensibilidade respiratória deve preferir o pau de canela ao pó.

O segundo é sobre a pele. Canela em pó em contato demorado com pele úmida pode avermelhar e arder, principalmente a variedade mais forte. Nas simpatias que pedem esfregar nas mãos, esfregue e lave depois, sem deixar horas.

O terceiro é sobre equipamento. Pó fino em tomada, teclado, fechadura eletrônica ou entrada de carregador é problema mecânico, não espiritual. Nesses casos o gesto se faz por fora, num pano, e depois se limpa.

O quarto é sobre onde deixar o material. Nada de deixar pote aberto ou pó espalhado ao alcance de animais domésticos, que costumam cheirar e lamber tudo que aparece de novo na casa.

E o quinto é sobre o alimento. Guardar canela dentro de pote de mantimento passa cheiro forte para o que está ali, e por isso a tradição mais cuidadosa manda embrulhar antes. Uma simpatia da canela bem feita não estraga a comida da casa.

Um sexto cuidado, que interessa a quem tem restrição alimentar: canela é ingrediente ativo, e existem pessoas que precisam evitá-la por orientação médica, principalmente quem usa medicação contínua. Nenhuma das simpatias desta página pede que se coma ou beba coisa alguma, e essa escolha foi proposital. Ritual e alimentação são assuntos separados, e é melhor que continuem assim.

E o mais simples de todos: lave as mãos depois de mexer com o pó, antes de encostar nos olhos. A canela não queima como pimenta, mas incomoda o suficiente para estragar o resto do dia de quem esfregar o olho sem pensar.

Fazer o pedido por outra pessoa

Uma pergunta que aparece bastante: dá para fazer pedindo por alguém, um parente desempregado, um irmão endividado, um amigo com processo parado?

A tradição popular sempre respondeu que sim, com uma condição que se repete em qualquer canto do país: o pedido é feito pelo bem da pessoa, nunca no lugar dela. Quem faz não substitui o outro, apenas acompanha. É a mesma lógica de quem reza por alguém.

Na prática, isso muda pequenos detalhes do ritual. Onde a receita pede o seu nome, entra o nome de quem você está ajudando. Onde a receita pede uma quantia sua, entra a situação da outra pessoa. E onde a receita pede um objeto pessoal, o costume é usar algo de uso comum, e não pegar coisa do outro escondido.

Esse último ponto merece atenção porque é onde muita gente se atrapalha. Mexer nas coisas de alguém sem que a pessoa saiba, ainda que com boa intenção, não é gesto de cuidado. A tradição sempre distinguiu ajudar de interferir, e a diferença está justamente no consentimento.

Vale lembrar que uma simpatia da canela feita por alguém não retira daquela pessoa nenhuma responsabilidade. Quem está endividado continua precisando negociar, quem está sem trabalho continua precisando procurar. O gesto acompanha o esforço; sozinho, ele não anda.

Por fim, uma dúvida que costuma vir junto: é preciso contar para a pessoa que você fez? A tradição não obriga, e a maioria dos costumes antigos aponta para o contrário, pela mesma razão de sempre, que é evitar remexer no assunto. Se a pessoa souber, ótimo; se não souber, o gesto continua valendo. O que a tradição desaconselha é transformar o pedido em cobrança depois, lembrando o outro do que você fez por ele.

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